Um país que tem recursos humanos
especializados, nos quais investiu, que tem um sistema educativo a ser
rentabilizado por esses recursos, e de repente redimensiona o sistema
desperdiçando os recursos, não é com certeza um país no caminho certo.
Para além da precarização constante das
condições de trabalho dos professores, a tutela prepara-se agora para afectar
um direito fundamental das vidas dos professores – o trabalho!
Temos de conseguir uma forma de impedir
que a tutela pare, de uma vez por todas, de criar instabilidade na Educação.
Infelizmente nesta sociedade lusa parece
que os interesses são o seu motor, parece ser eles quem a fazem mover.
Por direito, os sindicatos são os
representantes legais dos professores.
Não será, então, nos sindicatos que os
professores deverão manifestar as suas preocupações e a sua indignação para com
as políticas educativas, algumas das quais com a concordância destes?
Mesmo aqueles professores que não são
sindicalizados viram e verão a sua profissão negociada/acordada pelos
sindicatos existentes.
A união faz a força.
Os movimentos de professores têm um papel
muito importante no alcance daquilo que os move, contudo são, naturalmente,
quase sempre sonegados pelos sindicatos, prestando ambos, dessa forma, querendo
ou não, serviço à tutela.
Acresce que nenhum movimento de
professores conseguirá a representação reivindicativa que os sindicatos têm. É
público o desprezo da tutela em relação a movimentos formados recentemente e
que foram por ela recebidos como se de um favor se tratasse. E pensando bem...
Cabe aos sindicatos o papel representativo da classe.
Importa então agir com base nesse
propósito – são os sindicatos que representam os professores.
Pode ocorrer que o timing dos professores
não se coadune com o timing sindical.
Continuar com a relação
professores/sindicatos que ficou desde as mega-manifestações, é assistir a um
constante declínio da mesma.
Urge, então, mudar a relação
professores/sindicatos, com o intuito de conseguir mudar a inter-relação
professores/sindicatos/tutela.
Nem a tutela pode continuar a contar com a
previsibilidade dos sindicatos (hoje um, ontem outro), nem os professores
devem deixar de se rever nos sindicatos.
E se em vez de concordarmos ficar na fila à porta do
Centro de Emprego, a servir de figurantes às manifestações tradicionais dos
sindicatos, e se em vez de nos manifestarmos aqui e acolá, fizéssemos das sedes dos sindicatos o nosso ponto de encontro na defesa da Educação, com o mesmo espírito de missão que tivemos nas mega-manifestações?
É possível imprimir uma nova dinâmica aos sindicatos fazendo-os sair da zona de conforto.
É possível imprimir uma nova dinâmica aos sindicatos fazendo-os sair da zona de conforto.
É necessário que sindicatos, tutela e a
opinião pública sintam novamente o pulsar dos professores, para que a Educação neste país
não deixe de ser uma prioridade.
6 comentários:
"Acresce que nenhum movimento de professores conseguirá a representação reivindicativa que os sindicatos têm"
Não sei se isso será bem assim. Não é só uma questão de número ou logística. Por esse mundo fora vimos movimentos independentes (por vezes via mero FB) que conseguiram grande adesão e sucesso no seu ideário, ainda que desorganizado e ideologicamente precário...
Perguntas e respostas:
A História do Capitalismo ensina-nos que, antes de haver sindicatos - e direcções sindicais - já havia trabalhadores em luta.
A história do Sindicalismo revela-nos que houve direcções sindicais criadas e/ou tomadas pela entidade patronal e/ou pelo poder de Estado e seu modo de produção. Mais tarde s urgiram sindicatos reformistas e contrapuseram-se-lhessindicatos Verticais de Classe. No quadro actul, a sintuação inverte-se novamente com novas vagas reformistas (CES) e ultra-reformistas e reaccionàrias (CSI).
Mas também a História nos mostrou a degadação de grau zero do sindicalismo, por ex. o siliano e calabrês, lançando raízes nos EUA, com dirigentes mafiosos, escroques, corruptos, homicidas cruéis e traficantes, que cobravam as quotas aos seus associados à lei da bomba e do crepitar das metralhadoras de tambor.
Quanto à representatividade legal das direcções sindicais juto a tutela:
"Quem pode legalmente convocar uma reunião no local de trabalho? Só os sindicatos? Ou também os trabalhadores? Como se faz?", ou "Quem pode convocar uma greve? Só os sindicatos? E como se faz?", aqui deixo a resposta.
Citação de: http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=novapol26
LEI DAS ASSOCIAÇÕES SINDICAIS
DECRETO-LEI N.° 215-B/75 DE 30 DE ABRIL
"Viram e virão" ou viram e verão?
Corrigido. Obrigado.
A minha solução: Modifiquem a tabela de vencimentos. Criem um único escalão. Indíce 188 (Atual 2º Escalão) para todos os docentes quer sejam do público ou do privado, quer sejam do quadro ou contratados. O indíce seria apenas atualizado com base na inflação. Desta forma deixa de haver necessidade de avaliação de docentes, e deixa de haver quezílias entre contratados e professores do quadro.
todos querem mais...que se lixe o mexilhão...
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